BASTIDORES
DAS TIRINHAS PARA O PALCO
por. Jefferson de Medeiros
"Montar o "QUE PUXA, CHARLIE BROWN" é um sonho antigo, mas nunca iria imaginar que um dia fosse se tornar real."
Parte I: A SAGA COMEÇA - Autorizações e Adaptações
O desejo de fazer alguma coisa envolvendo a turma
do Snoopy foi movido pela identificação que eu tinha quando era criança com
aquele anti-herói gordinho. Assim que comecei a estudar teatro, a vontade foi
aumentando e foi só depois de algumas produções (tanto adulta, quanto infantil)
que resolvi arriscar a fazer um musical. Pena que eu já não era gordinho.
O processo de busca de direitos, adaptações
do texto e musicas foram as coisas que mais atrasavam todo o processo de montagem
do espetáculo.
O texto original, apresentado na Broadway,
era grande e a história não era linear, como estamos costumados aqui no Brasil,
e por isso fiquei com medo de que as crianças ficassem perdidas com tantos blackouts*
que a peça merecia, então decidi que precisaria de mais material para trabalhar
no roteiro com começo, meio e fim definidos.
Como já estava no processo de pedido de permissão junto a família do criador
do Snoopy (Charles Schulz) e como eles sempre foram bastante receptivos e atenciosos
nesse caso, eu decidi abusar da boa vontade deles e pedir mais material para
que eu pudesse trabalhar e adaptar o texto da melhor forma linear possível,
mas aí começou um outro problema: as escolhas do que entrar ou não no musical.
Pena que nem METADE do que me enviaram foi usado.
(*artifício usado no
teatro para transição de cenas, onde as luzes se apagam para que uma nova cena
se inicie)

uma das tirinhas não usada
O que mais ajudou nesse processo foram as musicas de Clark Gasner, porque assim
eu pude ter um guia pro roteiro final, mesmo não me sendo cedidas todas as musicas.
E então, em dezembro de 2006, tudo
estava pronto. A liberação de algumas personagens, musicas, a aprovação do texto
e a autorização de parte do musical "You´re a Good Man, Charlie Brown".
Aí passamos para a segunda parte: a seleção dos atores.
Parte II: A SELEÇÃO - Entram Em Cena os Atores e Atrizes
Não posso deixar de admitir que fui realmente sortudo nessa parte.
A 1ª pessoa que eu selecionei foi o ator
LINN DE SOUZA,
que estava ensaiando uma outra peça (adulta) e nessa peça ele cantava. Nem sabia
o papel que ele faria no "Que Puxa...", mas lá estava eu perguntando
pro cara se ele queria fazer o musical.
Depois coloquei um anuncio no ORKUT (!!)
e as pessoas que me respondiam eu analisava o perfil, e se batesse com o que
eu queria, enviava um e-mail com informações sobre a produção e um texto pequeno
para o teste, onde, no final, eles(as) deveriam cantar uma musica que escolhessem.
O teste foi realizado no Parque Municipal, onde lá, eu pude ter noção da capacidade
vocal e desinibição dos candidatos.
No 1º dia eu encontrei as atrizes
YASMIN SILVEIRA
e
ROSILENE
MACHADO. Elas se encaixavam perfeitamente
nos papeis de Lucia e Sally, respectivamente... Aí sim, achei mesmo que eu estava
com sorte.
O mais difícil de conseguir foi o Charlie Brown. Iniciei a produção e os ensaios
sem ter o ator, e a procura demorou alguns meses, até que me indicaram o ator
e musico
REINALDO MENEZES.
Assim que ele chegou, percebi que havia achado o 'garotinho' baixinho que precisava
pra terminar a montagem.
Parte III: OS ENSAIOS e PRODUÇÕES
A produção caminhava
rapidamente e os ensaios ficaram completos com a entrada do novo integrante.
Algumas cenas ficaram prontas com uma velocidade impressionante, e em pouco
tempo estávamos indo para o estúdio da Kundum Produções em Áudio para que pudéssemos
conhecer as músicas e ensaiá-las.
Logo
que a faze do estúdio se iniciou, começou um processo que levaria MUITAS HORAS!
Não eram músicas fáceis de cantar, ou achar o tom. Acho que uma das coisas
mais complicadas de se fazer um musical é que além da afinação, o ator / atriz
tem que passar CANTANDO a intenção que o diretor, no caso eu, queria pra cena.
O 1º 'rascunho' da música inicial foi feito e se chamava 'Você é um bom
garoto, Charlie Brown', e apesar de ser muito legal, não tinha a apresentação
das personagens do jeito que eu queria, e por culpa dessa 1ª música as
outras começaram a travar o processo.
As traduções e adaptações foram feitas, a base musical também, feita por
LUCIANO SOARES,
e o refrão da 1ª música do espetáculo ficavam prontas.
Depois de alguns meses, e algumas versões, a musica 'Que Puxa, Charlie Brown'
ficava pronta.
Então toda a turma voltou ao estúdio para gravar, sobre a coordenação (e a paciência)
de HELDER
LIMA. O estúdio acabou se tornando
nosso segundo lar, nos finais de semana. Íamos pra lá aos sábados e passávamos
um bom tempo lá.
Juntamente com
a produção musical, a parte de cenário, figurino e adereços foram se iniciando.
AXEIHEYS
EMILIO me mostrava o que seria o
cenário e CLÁUDIO
MARCOH e
SANDRA MARIÁ
tiravam as duvidas quanto ao figurino. Tenho que dizer que fazer figurinos e
cenários reais baseado em desenho animado, não é lá muito fácil quando se quer
achar um meio termo. Não queria que fosse igual a produção americana e que tivesse
a nossa cara. CLÁUDIO
e SANDRA
deram idéias ótimas nesse
processo e inclusive eliminaram as perucas previstas no pedido inicial, já que
o pouco cabelo do Linu não ia dar uma estética boa.
O cenário passou por pouca modificação e só tivemos que mudar a medida para
que se adaptasse para o tamanho do nosso 'Charlie Brown', mas o processo de
pintura desse cenário grande foi o que mais demorou e deu trabalho.
O nosso sonoplasta,
EDGARD TADEU,
caiu de pára-quedas no meio desse processo pro trabalho mais difícil de todos,
acertas as musicas e efeitos da peça!
E lá estávamos
nós, no meio de um furacão de acontecimentos, tudo ao mesmo tempo, trabalhando
de segunda a segunda. Trabalhávamos não só na produção, mas em nossos trabalhos
'comuns' de dia de semana (no caso da
Yasmin, estudo de dia de semana).
E no meio disso tudo, Yago, filho de
CLÁUDIO
e SANDRA
nasceu!
(Ter o CLÁUDIO e a SANDRA no meio dessa produção foi uma ótima! E se fosse possível pra um humano ter 2 braços direitos, eu os chamaria de Cláudio e Sandra..rs.. Eles acabaram comprando meu sonho e me ajudam nessa complicada produção.)
Parte VI: A ESTRÉIA
Sete meses se passaram
desde o 1º ensaio no parque municipal e o elenco já não via a hora de estrear.
A busca pelos teatros em Belo Horizonte já havia começado. Infelizmente, teatro
em Belo Horizonte, não é mais para quem quer fazer. Os locais ditos 'públicos'
estão sobre a 'direção' de pessoas que só pensam em montar seus próprios espetáculos
e não abrem espaço para produções diferentes.
Mesmo enfrentando esse problema, conseguimos achar um ótimo lugar no bairro
Floresta. Ao contrário de muitos lugares por aqui, o 'diretor' desse teatro
LUIZ HIPPERT, foi super atencioso com esse musical e nos permitiu fazer o necessário
para que estreássemos.
E assim, com o local definido, figurino pronto, cenário montado e pintado, texto decorado, marcações prontas, cd com as musicas e trilhas gravado, era hora de mostrar a todos a turma do Snoopy, diretamente das tirinhas para o palco!

É... os percalços, os cabelos brancos e as noites mau dormidas valeram a pena...
AGRADECIMENTOS
A Deus, ao elenco (Linn, Reinaldo, Rosilene, Yasmin), a equipe
técnica (Edgard Tadeu, Axeiheys Emilio, Cláudio e Sandra), nossas famílias,
família do Schulz (Monte e Jean. Filho e esposa do criador dessa turma maravilhosa),
Clark Gasner, à Kundum (Helder e Simone), Luciano Soares, ao Max da Sinalmaxx,
Luiz Hippert do teatro Nossa Senhora das Dores, aos funcionários do teatro (Rosana
e Reginaldo) e a pessoa mais importante nisso tudo, que me apoiou e incentivou
para que eu realizasse meu sonho: Priscila Andrade (minha namorada)